Banner
Rio de Janeiro |
domingo, 13 de julho de 2014
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Reinaldo Azevedo - Blog - VEJA.com
Reinaldo Azevedo - Blog - VEJA.com
Veja SP
Veja RJ
Exame
Info
Contigo!
MdeMulher
Modaspot
Capricho
Revistas e sites
Assine
Loja
SAC
Grupo Abril
VEJA
Notícias
Temas
Vídeos e Fotos
Blogs e Colunistas
Assine VEJA
Reinaldo Azevedo
Lauro Jardim
Augusto Nunes
Fernanda Furquim
Ricardo Setti
GPS
Todos os colunistas
Acervo Digital
/ Blogs e Colunistas
Blog
Reinaldo Azevedo
Análises políticas em um dos blogs mais acessados do Brasil
Assine o Feed RSS | Saiba o que é
Se em meu ofício, ou arte severa,/ Vou labutando, na quietude/ Da noite, enquanto, à luz cantante/ De encapelada lua jazem/ Tantos amantes que entre os braços/ As próprias dores vão estreitando —/ Não é por pão, nem por ambição,/ Nem para em palcos de marfim/ Pavonear-me, trocando encantos,/ Mas pelo simples salário pago/ Pelo secreto coração deles. (Dylan Thomas — Tradução de Mário Faustino)
12/06/2014 às 22:28
A Abert emite uma nota vergonhosa — tão vergonhosa quanto a sua falta de apreço pela liberdade de expressão
A Abert, que é a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, emitiu uma nota oficial vergonhosa. Entidade que deveria estar na linha de frente na defesa da liberdade de expressão, abre mão de sua missão para fazer política populista e baixo proselitismo. Vai ver é por isso que certas emissoras — de rádio e televisão — fazem uma cobertura da política e da Copa mais perdida do que cachorro caído de mudança. Leiam a nota, que segue em vermelho. Volto em seguida.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) repudia violência cometida por policiais militares contra profissionais de imprensa nesta quinta-feira, 12/6, em São Paulo.
As jornalistas da emissora norte-americana CNN Barbara Arvanitidis e Shasta Darlington, e o assistente de câmera do SBT Douglas Barbieri foram feridos por estilhaços de bomba quando cobriam manifestações na zona leste da capital paulista.
Balas de borracha feriram ainda o jornalista argentino Rodrigo Abd, da agência de notícias Associated Press, e um repórter de uma equipe de TV francesa. Em Belo Horizonte, um fotógrafo da agência Reuters foi atingido na cabeça por uma pedra lançada contra a polícia.Todos os profissionais portavam identificação de imprensa e usavam equipamentos de segurança.
É inaceitável que, a pretexto de conter protestos durante a Copa do Mundo, a polícia empregue métodos violentos contra jornalistas, impedindo-os de exercer sua função profissional. Da mesma forma, são intoleráveis ataques de manifestantes contra a imprensa.
É imperioso que a orientação das autoridades de segurança da União e dos Estados esteja voltada ao respeito aos direitos humanos e, em especial, à liberdade de expressão, princípio basilar de uma democracia.
DANIEL PIMENTEL SLAVIERO
Presidente
A ABERT é uma organização fundada em 1962, que representa 3 mil emissoras privadas de rádio e televisão no país, e tem por missão a defesa da liberdade de expressão em todas as suas formas.
Retomo
Em primeiro lugar, a nota mente ao afirmar que a Polícia Militar de São Paulo cometeu violência contra jornalistas. Uma pergunta ao sr. Slaviero: eram eles os alvos dos PMs? Fosse eu comandante da força policial, convidaria o presidente da Abert para ministrar uma aula sobre como proteger jornalistas, especialmente quando estes cobrem os eventos misturados a depredadores e segundo o ponto de vista material destes. Estivessem entre os soldados, certamente seriam feridos pelos manifestantes. Não custa lembrar que, até agora, houve um único morto nos conflitos: o cinegrafista Santiago Andrade. E o assassino não é um policial. Há uma enorme diferença entre um jornalista ser ferido num conflito e a Polícia ferir um jornalista num ato deliberado.
Escreve ainda o sr. Slaviero: “É inaceitável que, a pretexto de conter protestos durante a Copa do Mundo, a polícia empregue métodos violentos contra jornalistas, impedindo-os de exercer sua função profissional. Da mesma forma, são intoleráveis ataques de manifestantes contra a imprensa.”
Com a devida vênia, “sob o pretexto” uma ova! A nota faz supor que a PM mente quando diz que está contendo os protestos, como se tivesse especial interesse em reprimir o trabalho da imprensa. Ora, e por que o faria? De resto, quem ataca a imprensa de forma sistemática, deliberada e planejada são manifestantes de extrema esquerda e baderneiros, que, na nota da Abert, ganham uma menção apenas lateral. Os jornalistas só não são mais agredidos porque são obrigados a ir para ruas sem identificar os veículos aos quais pertencem.
Muitas emissoras de rádio e televisão estão com um medo covarde das “ruas”, muito especialmente dos grupos organizados que partem para a porrada. Há tempos, dispensam-lhes uma cobertura reverente e acham que, caso lhes puxem o saco, serão poupadas dos ataques organizados nas ruas e nas redes sociais. Mais: em algum grau, haverá, sim, a tal “regulamentação da mídia” — ou “controle social”. Tanto pior para o setor (e para a liberdade de imprensa) se Dilma vencer.
Também a Abert decidiu se acovardar, vergar a cerviz ao espírito dos extremistas de rua, dando piscadelas para black blocs e outros delinquentes. No caso, então, melhor atacar a Polícia. A propósito: quando emissoras de televisão estão sob ataque, a Abert acha que se devem apelar a quem? Ao Lobo Mau? Aos Chapeuzinhos Vermelhos?
Certa cobertura da imprensa, muito mais do que as ações impróprias das polícias, é responsável pelo vulto que tomaram as ações violentas. Nesta quinta, deu para notar o esforço para “equilibrar” as coisas. Ocorre que, de um lado da balança, estava a PM tentando manter desobstruída a principal via que conduzia ao Itaquerão; do outro, gente disposta a bater, a quebrar, a incendiar. Se o noticiário estivesse certo, seríamos levados a concluir que os dois lados têm sua parcela de razão e de culpa.
E não que falte à Abert uma causa realmente séria e relevante em defesa da liberdade de expressão. E ela está fugindo, por comodismo, às suas obrigações. Falarei a respeito nesta madrugada. Bater nas Polícias Militares é fácil. Quero ver é a associação brigar com gente realmente grande em defesa da liberdade de expressão. Por Reinaldo Azevedo
Tags: Abert, liberdade de expressão
Share on Tumblr
NENHUM COMENTÁRIO
12/06/2014 às 21:32
Em benefício de milhões de pessoas, torço para que os feitos de Nicolelis, um dia, estejam à altura de sua capacidade de gerar notícia
- Miguel Nicolelis: um dia, espera-se, o feito será compatível com a capacidade de gerar notícia
Pois é… Não estou comparando pessoas, mas situações e estilos, que fique claro! Lembro como era difícil até mesmo perguntar se o marketing que acompanhava Eike Batista — que também vivia cercado de especialistas estelares — não era exagerado. À menor menção de que havia algo de exagerado, de inflado, naquele mundo de apostas tão altas, vinha a resposta, na forma da indagação desqualificadora: “O que é que você entende de petróleo? O que é você entende de logística? O que é que você entende portos?”. Como, obviamente, eu não era, e não sou, especialista em nada disso, a desconfiança não prosperava, não é? Deu no que deu. No máximo, teria conseguido me proteger se tivesse investido dinheiro em outra coisa. Mas isso também não fiz por falta de dinheiro, hehe. Imaginem um pobretão, como eu, pondo em dúvida as certezas que Eike vendia a peso superior ao do ouro!…
Também não entendo nada de exoesqueletos, mistérios do cérebro, essas coisas difíceis. Mas sei reconhecer quando um esquema de marketing anda mais depressa do que a própria ciência. Se gente especializada diz que o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis é sério, quem sou eu, não é?, para dizer o contrário? Há tanta gente que aposta nele, inclusive com verba pública, o seu projeto é tão grandioso… Mas eu me pergunto: hoje ao menos, não há uma fama muito superior ao proveito?
O que Nicolelis tem contra seguir algumas medidas prudenciais, prática corriqueira no mundo inteiro, como explicitar, em publicações especializadas os seus feitos, o que ainda não aconteceu no caso do projeto “Andar de Novo”? Em que isso prejudicaria as suas descobertas? Alguém que fala com tanta desenvoltura com a imprensa e que é tão bom para gerar notícias não poderia ser um pouco mais recatado e generoso com seus pares, expondo os detalhes de suas conquistas?
Mais: há gente séria que diz que não se trata exatamente de uma tecnologia nova, a exemplo do que afirma à VEJA.com Alberto Cliquet Júnior, professor titular do departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unicamp e de Engenharia Elétrica na Universidade de São Paulo: “É um show para abertura da Copa, sem mostrar grandes avanços científicos. Em 2012, uma paraplégica correu uma maratona com um exoesqueleto e essa não é uma tecnologia nova. Além disso, a estrutura é muito pesada, de 70 quilos e, se houver uma queda, isso pode levar a graves lesões — pessoas com lesões medulares costumam ter osteoporose e qualquer queda é perigosa. O exoesqueleto não vai resolver o problema de quem tem lesões medulares”.
Ocorre que, mesmo como show, parece que a coisa deixou um pouco a desejar, e a performance certamente não esteve à altura das expectativas que gerou. Reitero: não estou subestimando o trabalho ou sugerindo que eu tenha competência técnica para contestá-lo. Não tenho. Mas sei reconhecer quando o marketing supera em muito a realidade.
Em benefício de milhões de pessoas mundo afora, torço muito para que as realizações de Nicolelis estejam, um dia, à altura de sua capacidade de gerar notícia. Por Reinaldo Azevedo
Tags: Miguel Nicolelis, neurociência
Share on Tumblr
12 COMENTÁRIOS
12/06/2014 às 20:29
Demonstração do exoesqueleto decepciona na cerimônia de abertura
Por Rita Loiola, na VEJA.com. Volto no próximo post.
Em um flash de 3 segundos, o paraplégico Juliano Pinto, de 29 anos, usando uma veste robótica que seria comandada pelo cérebro, moveu seu pé direito e deu um pequeno chute em uma bola de futebol durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, nesta quinta-feira. Antes do espetáculo musical que apresentou a faixa-título da Copa, a demonstração esperada desde 2011 por paraplégicos de todo o mundo e que consumiu 33 milhões de reais, boa parte vinda do governo federal, foi vista apenas de relance. Em pé, Juliano, vestindo a estrutura metálica que pesa 70 quilos e apoiado por duas pessoas, mostrou o resultado do trabalho de 156 cientistas de 25 países que, liderados pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, viabilizaram a demonstração no início do campeonato.
O esperado era que um paraplégico, usando o exoesqueleto, levantasse de sua cadeira de rodas, desse alguns passos no gramado e então chutasse a bola para dar início aos jogos. Nicolelis, cientista da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, lançou o projeto “Andar de Novo” para fazer uma veste robótica de metal leve que leria os sinais elétricos emitidos pelo cérebro de um paraplégico e faria com que ele andasse. Por meio de um sistema chamado interface cérebro-máquina (ICM), os sinais enviados pelo cérebro seriam captados por uma touca repleta de eletrodos de eletroencefalograma (EEG) e enviados a um computador em uma mochila, nas costas do robô. Ali, eles seriam traduzidos e transformados em comandos de movimento. Giroscópios acoplados às costas do robô garantiriam o equilíbrio do exoesqueleto.
Oito pessoas participaram dos testes, que começaram em novembro e foram divulgados em uma página do Facebook e no Portal da Copa. Uma das novidades anunciadas pelos cientistas que projetaram a estrutura é que ela faria os jovens sentirem a sensação de contato com o solo, como se ele fosse percebido pelos pés. Sensores acoplados aos pés do robô enganariam a mente, passando a informação da proximidade do chão como se ela viesse do corpo. Com isso, a ideia da equipe responsável pelo projeto é que o exoesqueleto fosse compreendido pelo cérebro e controlado como mais um membro do organismo.
“Foi um grande trabalho de equipe e destaco, especialmente, os oito pacientes, que se dedicaram intensamente para este dia. Coube a Juliano usar o exoesqueleto, mas o chute foi de todos. Foi um grande gol dessas pessoas e da nossa ciência”, celebrou Nicolelis, coordenador científico do projeto, em um comunicado à imprensa.
Confira a repercussão entre cadeirantes e a comunidade científica mundial:
“Somos a favor de avanços tecnológicos e pesquisas científicas, mas não podemos concordar com a ‘espetacularização’ de uma tecnologia incipiente e que não está madura para produção em massa. A exposição causará falsas expectativas nas pessoas com deficiência e reforçará estigmas negativos e preconceitos. Não me parece promissor, não ajudará pessoas com deficiência a voltarem a andar e não será utilizado no dia a dia (tanto pelo custo impraticável como pela falta de autonomia). Finalmente, parece-me absurdo investir mais de 33 milhões de reais (boa parte de recursos públicos) em algo que não trará benefícios ou soluções. Agrego a tudo isso profunda decepção com a participação do exoesqueleto na cerimônia de abertura, que acabo de assistir. Sem dúvida, a demonstração evidenciou que o experimento não funciona e não atendeu sequer as promessas divulgadas. Decepcionante!”
Luiz Portinho, advogado gaúcho e presidente da Rio Grande do Sul Paradesporto
“Vi algumas demonstrações do exoesqueleto nos Estados Unidos, em versões preliminares. No entanto, é muito grande e não serve para todos. Acho que ele deve ser combinado com estímulos elétricos para promover movimentos mais ativos, em vez dos completamente passivos. É um bom começo e beneficiará várias pessoas com deficiência.”
Paul Lu, cientista americano paraplégico que pesquisa o uso de células-tronco para lesões de medula na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), nos Estados Unidos
“O que foi exibido ao mundo, infelizmente, é tudo o que já se sabia do exoesqueleto: uma dúvida profunda a respeito de todos os seus potenciais, desdobramentos e capacidades. A questão, agora, não é mais ser cético em relação a um avanço científico que pode revolucionar vidas, é cobrar vigorosamente seriedade e luminosidade com promessas que envolvam dinheiro público, almas angustiadas e anseios de milhões de pessoas.”
Jairo Marques, jornalista, cadeirante paulistano e colunista do jornal Folha de S.Paulo
“Esse pequeno chute é um grande passo para a ciência, que mostra que o homem é capaz de sonhar e de tentar colocar em prática seus sonhos. No entanto, acredito que pesquisas como a estimulação elétrica, feita por pesquisadores brasileiros, é uma maneira bem mais inteligente de recuperar os movimentos dos paraplégicos. São duas frentes de estudos que podem fazer com que pessoas com lesões medulares possam realizar o sonho de voltar a andar.”
Benny Schimidt, chefe do laboratório de patologia neuromuscular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
“A demonstração é um ato simbólico do esforço para usar a ciência e a robótica moderna no lugar da tecnologia centenária das cadeiras de rodas. Podemos e devemos superar essa era antiga e fazer algo melhor. Nicolelis e seus colegas estão, claramente, dando um passo nessa direção. O mais importante é que essa tecnologia possa se tornar prática e útil para pessoas com lesões e que ela seja tão confiável e efetiva quanto uma cadeira de rodas. Veremos no futuro se esse será ou não o caso.”
Mark Tuszynski, neurocientista americano e diretor do Center for Neural Repair da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), nos Estados Unidos
“A demonstração é positiva, pois chama a atenção para os paraplégicos. No entanto, é um show para abertura da Copa, sem mostrar grandes avanços científicos. Em 2012, uma paraplégica correu uma maratona com um exoesqueleto e essa não é uma tecnologia nova. Além disso, a estrutura é muito pesada, de 70 quilos e, se houver uma queda, isso pode levar a graves lesões — pessoas com lesões medulares costumam ter osteoporose e qualquer queda é perigosa. O exoesqueleto não vai resolver o problema de quem tem lesões medulares.”
Alberto Cliquet Júnior, professor titular do departamento de Ortopedia e Traumatologia da Unicamp e de Engenharia Elétrica na Universidade de São Paulo (USP)
“Mesmo depois da demonstração não fica muito claro se isso será um avanço. A ciência, tradicionalmente, é movida por cientistas que publicam suas descobertas em revistas científicas rigorosas que promovem uma análise justa dos feitos dos cientistas. Isso ainda não foi feito com o projeto Andar de Novo. Estou curioso para o momento em que isso seja feito e então cientistas e engenheiros poderão avaliar os progressos que esse time fez.”
Daniel Ferris, neurocientista e professor da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos Por Reinaldo Azevedo
Tags: Copa do Mundo de 2014, Miguel Nicolelis
Share on Tumblr
22 COMENTÁRIOS
12/06/2014 às 19:59
E os “Green and Yellow Blocs” gritaram no Itaquerão: “Ei, Dilma, a-e-i-o-u/ ei, Dilma, a-e-i-o-u…” Presidente escapou do discurso, mas não de certo monossílabo tônico
Vejam e ouçam este vídeo.
Certamente, a televisão de vocês também registrou, embora a transmissão, ao menos a da Globo, não tenha feito nenhuma referência ao fato. Admito: é uma coisa complicada mesmo, ainda que me pareça perfeitamente possível informar: “E, agora, parte do estádio dirige palavras não muito gentis à presidente Dilma Rousseff…”. Até porque estou certo de que, tivesse o estádio explodido num grande delírio de alegria, certamente se daria destaque ao fato.
Está aí. Dilma foi premiada com um dos xingamentos prediletos do brasileiro, só perdendo para aquele que ofende a genitora. Certo monossílabo tônico, sem acento, terminado em “u” foi dirigido à presidente. Mais de uma vez, parte considerável do estádio gritou: “Ei, Dilma, a-e-i-o-u/ Ei, Dilma, a-e-i-o-u…”.
Não era o que estava no script, é certo. Nelson Rodrigues dizia que brasileiro vaia até minuto de silêncio. Pode não ser bem assim, mas é certo que políticos em ambientes esportivos nem sempre são bem-vindos. Ainda mais nos dias de hoje, quando há uma óbvia crispação nas ruas e uma indisposição meio generalizada com a lambança em órgãos oficiais.
Ainda que o governo federal houvesse cumprido todas as promessas que fez, dar a cara nos estádios seria uma operação de risco. Ocorre que não cumpriu. Os torcedores sabiam que a presidente estava ali. Talvez tivesse sido deixada quietinha, no seu canto, não tivesse ela cedido ao mau conselho de algum aspone, que lhe sugeriu que ocupasse a Rede Nacional de Rádio e Televisão para desqualificar seus críticos, inflar os números da gestão petista e dizer algumas inverdades, como dar por concluídas obras que estão em curso.
Ficou muito claro que a população sabe distinguir muito bem o seu apreço pela Seleção Brasileira da exploração política mesquinha que o governo e o petismo tentaram fazer. Não só sabe distinguir como repudia as tentativas de governantes de se apropriar do que, obviamente, não lhes pertence.
O versinho dispensado a Dilma não é de bom gosto, mas é bom deixar claro que os que protestaram no estádio têm natureza muito distinta dos “black blocs”. Os “Green and Yellow Blocs” não querem destruir nada, não querem quebrar nada, não querem bater em ninguém. Estão cansados desse governo e de Dilma Rousseff. E, tudo indica, acham que é hora de mudar. Se vai acontecer ou não, aí veremos. Abaixo, uma metáfora doméstica.
Pipoca Maria Corintiana da Silva, 12 anos, preparou-se para a festa. Disse “sim” à euforia, mas zangou-se com a tentativa de manipulação Por Reinaldo Azevedo
Tags: Copa do Mundo de 2014, Governo Dilma
Share on Tumblr
143 COMENTÁRIOS
12/06/2014 às 19:16
Brasil vence Croácia por 3 a 1; os quatro gols foram de brasileiros; juiz marca pênalti que não existiu; placar não reflete realidade do jogo; Seleção não mostra futebol de campeão do mundo
- Neymar marca o segundo gol do Brasil, cobrando um pênalti que não existiu
Já falo sobre a “homenagem” que o Itaquerão prestou a Dilma Rousseff. Antes, um comentário rápido sobre o jogo. Ainda bem que Oscar fez o terceiro gol da Seleção Brasileira, o quarto de jogador do Brasil (o da Croácia também foi nosso, hehe) porque, obviamente, o pênalti em Fred não existiu. Foi uma invenção do juiz. Seria chato vencer da Croácia com um gol roubado.
O placar de 3 a 1 não retrata o que foi o jogo. Nem o Brasil jogou bem o bastante para isso — tanto é que só dois gols foram legítimos — nem a Croácia jogou tão mal. Na verdade, quem demonstrou aplicação tática foram os croatas. Perderam por quê? Porque a Seleção Brasileira tem mais valores individuais, como o próprio Oscar — de longe, o melhor em campo — e Neymar.
Como acontece desde 1970, a primeira Copa de que tenho memória muito viva — tinha oito anos —, sofri, xinguei um pouco, dei muitos murros no sofá etc. Sei que é só o primeiro jogo. Há, sim, o nervosismo da estreia. Isso existe. Uma coisa, no entanto, é certa: com o futebol demonstrado nesta quinta, não dá para ser campeão do mundo, não.
Foi impossível entender qual era o esquema tático da Seleção Brasileira além do voluntarismo. Por Reinaldo Azevedo
Tags: Copa do Mundo de 2014
Share on Tumblr
77 COMENTÁRIOS
12/06/2014 às 16:58
Mesmo escondida, Dilma não escapa das vaias
Por Giancarlo Lepiani, na VEJA.com:
A festa de abertura da Copa do Mundo demorou a esquentar, mas acabou animando o público que lota o Itaquerão, em São Paulo, na tarde desta quinta-feira. Com cerca de 25 minutos de duração, a apresentação foi prestigiada por apenas uma parte da torcida – as arquibancadas foram enchendo aos poucos. A tarefa de encontrar o lugar designado no estádio, aliás, não foi das mais fáceis – conforme muitos torcedores presentes ao palco da estreia da seleção brasileira, pouca gente sabia informar com precisão como acessar cada setor da nova arena.
No momento em que a cerimônia começou, pontualmente às 15h15, o estádio estava com milhares de assentos vazios – com longas filas nos bares e restaurantes, e com queixas de torcedores que diziam ter dificuldade para encontrar suas cadeiras, a festa teve um início morno. Antes mesmo do começo do espetáculo, que foi dirigido por uma belga, Daphné Cornez, o público teve dificuldade para entender uma mensagem veiculada pelo sistema de som do estádio, anunciando que a apresentação estava prestes a começar. Os primeiros minutos de coreografia, com dançarinos que usavam adereços com motivos ecológicos, foram acompanhados com indiferença pelo público – que parecia mais animado nos momentos que antecederam a cerimônia, gritando “Brasil” e vaiando a pequena mas barulhenta torcida croata.
Os assentos foram sendo preenchidos lentamente, mas pouca gente mostrava pressa em chegar ao seu lugar para assistir às coreografias no gramado. Depois do primeiro segmento, cujas coreografias simbolizavam as belezas naturais do país, a segunda parte da festa representou a diversidade da população brasileira, com danças e canções de várias regiões do país, misturando gaúchos de bombachas e baianas com capoeiristas no gramado. A terceira e última parte da festa de abertura tratou do futebol, com meninos e meninas fazendo movimentos coordenados com pequenas bolas brancas e a entrada da bandeira brasileira no campo.
No último ato, a bola iluminada colocada no centro do gramado se abriu para revelar os três intérpretes da música oficial da Copa, We Are One: a brasileira Claudia Leitte, a americana Jennifer Lopez e o rapper Pitbull, também americano. J-Lo, num curtíssimo vestido verde, se arriscou a dançar como a companheira de palco: rebolou e até sambou. Quando a festa foi concluída, as cadeiras do Itaquerão já estavam quase totalmente ocupadas – e depois de uma nova mensagem nos alto-falantes, pedindo aplausos aos trabalhadores que ergueram ou reformaram os doze estádios do Mundial, o público iniciou um novo coro, desta vez com um xingamento à Fifa e a presidente Dilma Rousseff, presente nas tribunas. Por Reinaldo Azevedo
Tags: Copa do Mundo de 2014, Dilma
Share on Tumblr
106 COMENTÁRIOS
12/06/2014 às 16:54
Show de abertura da Copa: a principal virtude
O show de abertura da Copa, naquele misto de macumba integracionista pra turista com alta tecnologia, teve uma grande, uma gigantesca virtude: foi curto!
Por Reinaldo Azevedo
Tags: Copa do Mundo de 2014
Share on Tumblr
77 COMENTÁRIOS
12/06/2014 às 15:49
PM de SP contém vagabundos disfarçados de black blocs ou black blocs disfarçados de vagabundos, tanto faz…
E vagabundos disfarçados de black blocs — fossem black blocs disfarçados de vagabundos, daria na mesma — tentaram fechar a Radial Leste, via de acesso ao Itaquerão. Chegaram a obstruí-la por algum tempo, mas a tropa de choque da Polícia Militar entrou em ação e impediu a ação da bandidagem mascarada.
Metroviários fizeram um protesto próximo à sede do seu sindicato e, ora vejam, os mascarados, para todos os efeitos, “se infiltraram” na manifestação, conforme noticia parte da imprensa. Deve ser a primeira vez na história que, à luz do dia, dezenas de mascarados vão chegando a um protesto sem que ninguém perceba. É preciso dizer a verdade aos leitores, não é? Não se tratava de infiltração, mas de parceria. Não é a primeira vez que essa canalha promove ações conjuntas com a extrema esquerda. No Rio, os parceiros preferenciais são do PSOL. Em São Paulo, pelo visto, eles podem se juntar ao PSTU, que manda no Sindicato dos Metroviários.
O “Grande Ato 12 de Junho Não Vai ter Copa” foi organizado por seis autointitulados “coletivos”. Pelo menos quatro jornalistas ficaram feridos: uma repórter da rede americana CNN, uma produtora da emissora, um assistente de câmera do SBT e um fotógrafo da Associated Press. Cumpre destacar desde logo, antes que comece o chororô corporativo, que bombas de gás ou de efeito moral não costumam distinguir jornalistas de não-jornalistas. À Polícia Militar cabe a difícil tarefa de conter gente que vai para o tudo ou nada. Repórteres, infelizmente, correm risco em coberturas assim — no Brasil ou em qualquer lugar do mundo.
No fim da contas, constata-se: enquanto a presidente Dilma Rousseff e Gilberto Carvalho passam, na prática, a mão na cabeça de baderneiros, sobra para a Polícia Militar — e para o governo de São Paulo — a responsabilidade de manter a ordem, o direito de ir e vir e as demais garantias constitucionais.
Enquanto o pau comia, Dilma estava hospedada num hotel em Guarulhos. Almoçou com autoridades e chefes de Estado e seguiu para o Itaquerão às 14h10, acompanhada do governador Geraldo Alckmin e do prefeito da Capital, Fernando Haddad. Indagada se arriscava algum placar, deu uma resposta densa: “Estou em concentração, gente. Concentremo-nos”. Por Reinaldo Azevedo
Tags: Copa do Mundo de 2014
Share on Tumblr
71 COMENTÁRIOS
12/06/2014 às 9:03
Dilma pretende insistir em decreto bolivariano e acha que pode usá-lo contra adversários
Por Natuza Nery, Ranier Bragon e Tai Nalon, na Folha:
Apesar da reação da oposição e do Congresso ao decreto que vincula decisões governamentais de interesse social à opinião de conselhos e outras formas de participação popular, a presidente Dilma Rousseff afirmou à sua equipe que “não haverá recuos”. Segundo a Folha apurou, o governo pretende ir até o fim na defesa de sua decisão e busca ganhar tempo no Legislativo para evitar a votação de um novo projeto que anule o decreto de Dilma. A ideia no Planalto é usar a polêmica como munição eleitoral: Dilma dirá que seus adversários tentam bloquear a participação popular nas iniciativas do Executivo.
O assunto é polêmico. Partidos de oposição e alguns integrantes da base aliada alegam que o ato fere prerrogativas do Legislativo. Além disso, dizem que a intenção do governo é aparelhar o processo de decisão governamental, a exemplo do que ocorre na Venezuela.Na avaliação do Planalto, como os senadores só retomam as votações após a Copa, haverá tempo para mobilizar setores da sociedade para pressionar o Congresso. Há 40 conselhos e comissões de políticas públicas no Brasil, formados por 668 integrantes do governo e 818 representantes da sociedade. As atribuições variam de acordo com cada conselho, que podem ser consultivos, deliberativos, ou os dois.
O decreto de Dilma determina que os órgãos da administração pública federal “deverão considerar” as novas regras, entre elas o desenvolvimento de mecanismos de participação dos “grupos sociais historicamente excluídos” e a consolidação “da participação popular como método de governo”.
(…) Por Reinaldo Azevedo
Tags: Decreto 8.243
Share on Tumblr
275 COMENTÁRIOS
12/06/2014 às 8:17
Metroviários não retomam greve. Contra a baderna e a ilegalidade, demissões e multas se mostram remédios muito eficazes. Parabéns ao governador Alckmin e à Justiça do Trabalho!
E não é que as demissões no Metrô e o bloqueio das contas do sindicato tiveram um impressionante efeito didático? Nesta quarta, os grevistas decidiram que não era o caso de retomar a paralisação. Melhor assim, não é mesmo? O governo de São Paulo já havia deixado claro que não recuaria das 42 dispensas já efetivadas e que 300 outras pessoas poderiam integrar uma lista de demitidos caso os sindicalistas reiterassem na ilegalidade. É… O emprego no Metrô é bom o suficiente para que a “categoria” tenha juízo. Só entre vale-alimentação e vale-refeição, um funcionário da empresa recebe quase R$ 1 mil, valor bem superior ao salário mínimo recebido por muitos dos usuários. Há muita gente querendo fazer parte desse time de privilegiados, que ainda tem direito a vale-creche de R$ 570 por filho até sete anos — benefício que se estende aos homens também.
Se o governo do Estado fraqueja, se dá uma piscadela, pronto! Torna-se refém não apenas dos metroviários, mas de todas as categorias de servidores da administração direta, de estatais e de empresas concessionárias. Quem acabaria arcando com o peso da desordem seria a população de São Paulo.
Geraldo Alckmin conduziu muito bem a crise e soube a hora de endurecer. De fato, o governo já havia concedido um reajuste até excessivo aos metroviários. A greve só aconteceu porque, ao esquerdismo xucro do PSTU — partido ao qual pertence Altino Prazeres, presidente do sindicato — somou-se o mais descarado oportunismo. Os ditos “líderes” dos metroviários resolveram usar a Copa do Mundo para chantagear o Metrô. Deram-se mal. Muito mal!
Outros fatores influenciaram a decisão de não retomar a greve. O movimento já havia perdido força, e o tal Altino percebeu que não conseguiria mais manter a paralisação na base do radicalismo retórico e da truculência. Mais: a Justiça do Trabalho havia elevado para R$ 3 milhões o bloqueio das contas do sindicato. Como a greve chegou ao fim, o valor voltou aos R$ 900 mil originalmente arbitrados. “Esse tribunal não irá reduzir nem extinguir as multas. O bloqueio, feito para assegurar o pagamento das multas, será novamente revisto e mantido em R$ 900 mil”, disse o desembargador Rafael Pugliese.
Ai, ai… Sabem quem discursou na assembleia dos metroviários? O antes notório pelego Luiz Antonio Medeiros, ex-dirigente da Força Sindical e hoje representante do Ministério do Trabalho em São Paulo. Anunciou, num tom bravateiro, ter multado o Metrô por “prática antissindical”. Medeiros, ex-rival da CUT e do PT, tornou-se, ora vejam!, um fã do radicalismo depois que arrumou essa boquinha com Lula. É espantoso!
Aliás, que fique claro: nessa jornada contra a estupidez das lideranças dos metroviários, o Planalto e o PT só criaram dificuldades adicionais. O mesmo governo petista que recorreu preventivamente à Justiça para impedir uma greve de policiais federais estimulou, por intermédio de Medeiros, a paralisação dos metroviários — foi, na prática, o que ele fez. Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência — sempre ele! — chegou a defender um “entendimento” com os extremistas.
Alckmin decidiu seguir a lei e defender os interesses de cinco milhões de usuários do metrô e de muitos outros milhões de trabalhadores de São Paulo, que tiveram sua vida transformada num inferno por meia dúzia de radicais que dispõem de privilégios de que poucos trabalhadores brasileiros desfrutam.
Contra a baderna e a ilegalidade, a demissão e a multa se mostraram remédios muito eficazes. Que fique a lição. Para governantes e sindicalistas. Por Reinaldo Azevedo
Tags: greves, Metrô de SP
Share on Tumblr
145 COMENTÁRIOS
12/06/2014 às 6:49
Advogado de Genoino estava embriagado e ameaçou Barbosa, diz segurança do STF
Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O advogado Luiz Fernando Pacheco, que defende o ex-presidente do PT José Genoino no processo do mensalão, ameaçou nesta quarta-feira o relator da ação e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, dizendo que “se tivesse uma arma, daria um tiro na cara do presidente [do STF]”. A ameaça foi presenciada por seguranças do tribunal, que nesta tarde tiveram de retirar o defensor do plenário da corte após bate-boca com Barbosa. De acordo com depoimento prestado por um servidor da Secretaria de Segurança do Supremo, Pacheco estava “visivelmente embriagado” quando, da tribuna do STF, pediu que a corte julgasse o pedido de prisão domiciliar do mensaleiro.
“Como o advogado, visivelmente embriagado, alterou o tom de voz de maneira desrespeitosa, o presidente, suspendendo a sessão, ordenou sua imediata retirada do Plenário”, disse o depoente, cuja identidade não foi revelada pelo STF. De acordo com o testemunho, mesmo com a equipe de segurança do tribunal já acionada, “o advogado insistia em pronunciar palavras agressivas ao senhor presidente”. “Informo ainda que, segundo depoimento do agente de segurança que participou da ação de retirada do advogado, já fora do Tribunal ele, visivelmente transtornado, teria dito que ‘se tivesse uma arma, daria um tiro na cara do presidente’”, diz trecho do depoimento do segurança do STF sobre o caso. De acordo com o Supremo, houve “uso moderado da força” para retirar Pacheco do plenário da corte.
Nota distribuída pela assessoria da corte afirma que, “agindo de modo violento e dirigindo ameaças contra o Chefe do Poder Judiciário, o advogado adotou atitude nunca vista anteriormente em sessão deste Supremo Tribunal Federal”. Em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, Barbosa considerou o episódio “gravíssimo”. “Eu considero uma ofensa, um atentado ao Poder Judiciário”, disse. “O advogado fez ameaças à pessoa do presidente do Supremo.”
Após o incidente, o advogado disse que Barbosa usou “toda a sua truculência” ao determinar que ele fosse retirado do tribunal. “Cada pedra lançada a mim por esse homem eu recebo como uma medalha. Eu sou um advogado defensor dos direitos legais do meu cliente e serei defensor seja onde for”, acusou Pacheco. Confrontado com o relato do servidor do STF, Pacheco negou ter ameaçado Barbosa: “completamente absurdo”. Por Reinaldo Azevedo
Tags: José Genoino, STF
Share on Tumblr
261 COMENTÁRIOS
11/06/2014 às 20:29
Relator faz 139 perguntas inócuas para blindar Graça Foster – e ganha pizza
Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
No Congresso, os colegas do deputado Marco Maia, do PT gaúcho, atribuem a ele um “jeitinho sonso”. Quando foi relator da CPI do Apagão Aéreo, em 2007, chegou a ser apelidado na Câmara de “Pedro Bó”, em referência ao personagem do humorista Chico Anysio, pelo repertório de perguntas tolas. Nesta quarta-feira, o petista resolveu protagonizar nova cena lastimável na CPI mista da Petrobras, da qual também tem o cargo de relator. Durante duas horas, ele fez exatas 139 perguntas à presidente da estatal, Graça Foster, com o objetivo de esvaziar a sessão e evitar questionamentos sobre denúncias de corrupção na empresa.
Logo na primeira pergunta, o petista surpreendeu o colegiado: “Quais são as principais diretrizes que orientam a estratégia na política de negócios da Petrobras?”. Outra: “A Petrobras está preparada para enfrentar os desafios no setor?”. O senador oposicionista Alvaro Dias (PSDB-PR) ironizou: “É a prova do Enem!”
No posto de relator, Maia tem direito a fazer quantas perguntas quiser, sem qualquer restrição de tempo – deputados e senadores têm cinco minutos, cronometrados pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB).
Após a oposição reclamar – sem sucesso – da blindagem de Maia, o líder do Solidariedade, Fernardo Francischini (PR), levou uma pizza ao plenário da comissão. Na caixa estava escrito “Pizza sabor petróleo”. “O relator é o maior pizzaiolo que temos. Ele agiu para blindar a Graça Foster, fazendo apenas perguntas repetidas para procrastinar”, criticou Francischini.
Marco Maia rebateu, alegando que estava utilizando “um método” especial em suas perguntas. “Eu peço paciência. Podemos ficar aqui por até dez horas, porque é assim que funcionam as CPIs. Esse é o método de fazer inquirição. Até porque o depoente pode cair em contradição e fazer afirmações que possam ser questionadas”.
Depois de duas horas, o petista encerrou suas perguntas. Graça Foster continua prestando depoimento. Por Reinaldo Azevedo
Share on Tumblr
135 COMENTÁRIOS
11/06/2014 às 17:06
Ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa é preso novamente
Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, apontado como um dos pivôs do esquema de lavagem de 10 bilhões de reais descoberto pela operação Lava-Jato, foi preso por volta das 16h desta quarta-feira, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo procurador Carlos Fernando Santos Lima.
O mandado de prisão contra Costa foi expedido pela Justiça a partir da descoberta de 23 milhões de dólares – ou cerca de 51 milhões de reais – em bancos suíços, em conta atribuídas ao ex-diretor pelo Ministério Público Federal. Autoridades brasileiras receberam, do Ministério Público da Suíça, a informação de que houve bloqueio das contas, determinado administrativamente. Autoridades suíças também descobriram no país cerca de 5 milhões de dólares depositados em contas atribuídas a parentes do ex-diretor.
A partir de agora, o Ministério Público Federal pretende pedir à Justiça Federal o bloqueio judicial dos valores encontrados no exterior. Os valores depositados no exterior foram descobertos a partir do programa de cooperação internacional mantido pelo Ministério Público Federal com outros países.
Há cerca de um mês, o ministro Teori Zavascki, do STF, havia determinado, em decisão liminar, a liberdade do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e suspendido todos os inquéritos relacionados à operação policial e às ações penais abertas na Justiça Federal do Paraná contra os investigados, entre eles o doleiro Alberto Youssef, pivô do megaesquema de lavagem de dinheiro.
No mesmo dia, porém, Zavascki recuou de sua decisão e manteve as prisões de Alberto Youssef e de outros investigados na operação policial, autorizando a liberdade apenas de Paulo Roberto Costa. Nesta terça-feira, Zavascki apresentou uma questão de ordem ao STF para decidir sobre o prosseguimento ou não das investigações e sobre quais investigados deveriam ter os casos julgados no tribunal. Por Reinaldo Azevedo
Share on Tumblr
226 COMENTÁRIOS
11/06/2014 às 16:20
Advogado de Genoino tenta transformar STF num boteco
Luiz Fernando Pacheco, advogado de José Genoino, precisa retomar suas aulas de latim e recuperar uma consideração do poeta Horácio: “Est modus in rebus”. Ou por outra: “Há uma medida nas coisas”. É preciso ter moderação, compostura, limite. Tudo aquilo que ele não teve nesta quarta-feira no STF. Leiam o que informa Laryssa Borges, na VEJA.com.
O ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira que seguranças da Corte retirassem do plenário o advogado do ex-presidente do PT, José Genoino. Quando os ministros se preparavam para julgar três processos que questionam o tamanho das bancadas de treze estados na Câmara dos Deputados, o advogado Luiz Fernando Pacheco pediu a palavra para questionar por que não havia sido pautada a análise do pedido de Genoino para cumprir a pena a que foi condenado no julgamento do mensalão em prisão domiciliar. Barbosa e Pacheco, então, começaram um bate-boca.
Da tribuna, Pacheco afirmou que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, já deu parecer favorável a Genoino por considerar que o quadro de saúde do mensaleiro permite que a pena seja cumprida fora do presídio da Papuda. A despeito da manifestação do Ministério Público, porém, o presidente do STF e relator do mensalão, Joaquim Barbosa, não pautou o caso para análise em plenário. Barbosa deve permanecer no Supremo apenas até o final do mês, quando pretende se aposentar.
“Há parecer do procurador-geral favorável [à prisão domiciliar] e Vossa Excelência deve honrar esta casa e trazer a seu parecer”, bradou Pacheco. “Vossa Excelência vai pautar?”, questionou Barbosa. Na sequência, o presidente do STF tentou encerrar a manifestação do advogado, e ambos acabaram se exaltando.
“Pode cortar a palavra que eu vou continuar falando”, disse o defensor de José Genoino. “Eu vou pedir à segurança para tirar este homem. Segurança, tira”, determinou o ministro, sob protestos de Pacheco de que estaria havendo “abuso de autoridade”. “Quem está abusando de autoridade é Vossa Excelência. A República não pertence à Vossa Excelência e nem a sua grei (grupo, partido). Saiba disso”, rebateu Joaquim Barbosa.
Condenado a quatro anos e oito meses por corrupção ativa, Genoino alega que o sistema prisional não tem condições de oferecer garantias de tratamento a ele, que passou por cirurgia para corrigir uma dissecção na aorta, em 2012. Depois de o STF confirmar sua condenação, Genoino chegou a cumprir parte da pena em prisão domiciliar em uma casa alugada em um bairro nobre de Brasília.
No fim de novembro, um laudo médico elaborado a pedido do ministro Joaquim Barbosa constatou que a prisão domiciliar não era “imprescindível” para o ex-presidente do PT, mas ainda assim o magistrado estendeu o benefício ao mensaleiro até o início deste ano, quando determinou o retorno do mensaleiro para o presídio da Papuda.
José Genoino já havia sofrido novo revés quando a Câmara dos Deputados negou a ele aposentadoria por invalidez. Sem a aposentadoria integral, Genoino mantém os vencimentos de cerca de 20.000 reais por tempo de serviço. Se conseguisse o benefício, ele teria direito ao salário integral e vitalício de deputado, hoje no valor de 26.700 reais.
Retomo
É evidente que o advogado está tentando “causar”, como dizem os adolescentes. Por mais inconformado que estivesse com as ações de Barbosa, não lhe cabe transformar o STF num boteco. Isso não acontece por acaso. Trata-se de uma tática para tentar carimbar no julgamento do mensalão a pecha de “injusto”.
Pacheco, de resto, tem muitas outras maneiras de expressar seu inconformismo. Protagoniza, assim, uma cena lamentável. De resto, Barbosa está a alguns dias de deixar o tribunal — e Genoino está preso, em regime semiaberto, depois de laudos técnicos que apontam que as condições são adequadas a seu estado de saúde.
Calma, Pacheco! Ricardo Lewandowski está prestes a assumir. Aí o senhor encaminha o seu pleito. Até lá, convém tomar apenas água.
Por Reinaldo Azevedo
Tags: Joaquim Barbosa, José Genoino, Mensalão
Share on Tumblr
521 COMENTÁRIOS
11/06/2014 às 15:24
Lula e Carvalho tentam colher tempestade em SP, mas Alckmin os impede
Até que não ando tão ruim de lógica, né? Ontem, escrevi o seguinte neste blog:
Leio agora que o governador Geraldo Alckmin confirma que não vai voltar atrás nas 42 demissões do Metrô, motivadas por vandalismo e ações conexas. Mais: se os metroviários insistirem na greve, a lista de demissões pode chegar a 300. É isto! É assim que se faz. Quem está em condições de fazer exigências é o governo, não o sindicato. E a razão é simples: um fala em nome de leis democraticamente pactuadas; o outro fala em nome do caos, tendo como instrumento a chantagem.
Pois é… Gilberto Carvalho, voz das trevas, sugeriu negociação. Lula, senhor das trevas, participou ontem do encerramento do Fórum América Latina e Caribe, na capital paulista, e afirmou: “Acho que a dispensa [dos metroviários] pode ser revista se houver maturidade tanto dos trabalhadores quando do governador para conversar”.
Entenderam? Manter as demissões — e, portanto, seguir a lei — seria falta de maturidade. Os petistas insistem em semear o vento em São Paulo para colher vocês sabem o quê… Não vão conseguir.
Está certo o governador Geraldo Alckmin. Sindicalismo não se confunde com chantagem. E ponto! Por Reinaldo Azevedo
Tags: greve do metrô
Share on Tumblr
259 COMENTÁRIOS
11/06/2014 às 15:07
Dilma sobe ao palanque e inaugura metrô incompleto em Salvador
Na VEJA.com:
Um dia depois de transmitir em cadeia nacional um discurso eleitoreiro, Dilma Rousseff, a presidente-candidata, subiu ao palanque nesta quarta-feira ao lado do governador da Bahia, Jaques Wagner, para inaugurar o metrô de Salvador. Durante o discurso, Dilma dedicou poucas palavras à obra que inaugurava e celebrou o legado do Mundial para o país, esquecendo-se das muitas obras de infraestrutura que não entregou, e das que o fez às custas de muito dinheiro desperdiçado. “As obras são para o Brasil. Durante esse mês serão usadas pela Copa, porque somos um país que sabe receber bem”, afirmou a presidente. O metrô inaugurado nesta quarta está em obras há 14 anos. Nem todo esse tempo foi suficiente para que o sistema fosse finalizado: apenas 7,3 quilômetros de linha estão prontos, trecho que compreende cinco estações da Linha 1: Lapa, Campo da pólvora, Brotas, Acesso Norte e Retiro, estação que também está inacabada.
Como já é de praxe, a retórica rancorosa de Dilma foi utilizada para criticar os que afirmaram que os estádios não ficariam prontos a tempo. E, é claro, os governos anteriores. Esquecendo-se que seu antecessor Lula ficou oito anos no poder, a presidente afirmou que até agora o governo federal investia pouco em mobilidade urbana, já que essa é uma atribuição de Estados e municípios. Afirmou ainda que, ao contrário das “previsões pessimistas”, não haverá racionamento de energia nem durante nem depois da Copa. Dilma aproveita o conforto do palanque aliado e da TV para exaltar a Copa do Mundo porque provavelmente não falará na abertura do Mundial. De acordo com a Fifa, não estão programados discursos de Joseph Blatter, presidente da Fifa, ou da petista. Para evitar receber vaias como na abertura da Copa das Confederações, no ano passado, em Brasília, Dilma quebrará nesta quinta-feira uma tradição recente do evento, que contou com declarações de presidentes e primeiros-ministros nas últimas duas décadas
Inauguração
A presidente também manifestou preocupação com protestos que terminam em vandalismo durante o Mundial de futebol. “Não teremos a menor contemplação com quem achar que pode praticar ato de vandalismo”, disse. A Abin e o Palácio do Planalto têm monitorado protestos e a ação de baderneiros em manifestações diversas. Homens do Exército e da Força Nacional de Segurança estão nas ruas desde a semana passada acompanhando a movimentação das delegações estrangeiras pelo país. “O governo federal vai garantir a segurança de todos os turistas”, afirmou.
Dilma percorreu ao lado de Wagner o trecho inaugurado. O projeto inicial previa 33,4 quilômetros de extensão, com dezenove estações. Wagner, no entanto afirma que serão cerca de 42 quilômetros. A conclusão das obras, com a inauguração da Linha 2, contudo, ficará para 2017. Os doze quilômetros que compõem a Linha 1 têm previsão de finalização para janeiro de 2015.
A viagem inaugural estava marcada para as 10 horas, mas começou com atraso. O trajeto percorrido pela presidente partiu da estação Lapa chegando a Retiro. Mas não será assim para os passageiros comuns: por estar inacabada, a estação final da linha terá horários ainda mais restritos do que as demais na fase de testes – o período de liberação ainda não foi informado. Os passageiros poderão, a partir desta quarta, utilizar o sistema de forma “assistida” até 15 de setembro. O tempo é necessário para que a concessionária CCR Metrô Bahia realize todos os ajustes necessários. Até lá a passagem será gratuita. “Depois teremos que coçar o bolso para andar de metrô”, afirmou Wagner no discurso de inauguração. Em dias de jogos da Copa em Salvador somente poderão utilizar o serviço torcedores que vierem de ônibus fretado e se cadastrarem no site da Transalvador.
A CCR foi a concessionária vencedora da licitação realizada em outubro do ano passado para tocar as obras da Linha 1 e implantar a Linha 2. O contrato estabelece a concessão do sistema por trinta anos. Embora o sistema esteja catorze anos atrasado, Wagner elogiou a rápida entrega do sistema pela CCR. “Queria agradecer a equipe CCR pela rapidez e como vestiram nossa camisa. A festa está completa e que a gente mostre que baiano é bom de serviço. O metrô está rodando em tempo recorde, apenas seis meses depois que a CCR começou a trabalhar”.
Discurso
Dilma também pareceu ignorar a extensão mínima do sistema entregue nesta quarta: “O povo chamava o metrô de calça curta. Mas estamos lançando aqui um metrô calça comprida. A Linha 1 é o metrô calça comprida”. A presidente elogiou ainda a agilidade com que o governo do Estado solucionou o problema do metrô, ainda que a administração estadual tenha assumido o controle apenas em 2013, quando a obra já somava treze anos.
Com menos da metade do projeto entregue, faltam ainda catorze estações a serem construídas, que deverão levar passageiros até o município Lauro de Freitas, na Região Metropolitana da Bahia, estação final da linha 2 do sistema. “Somente ano passado o governo do Estado resolveu assumir este problema, em função da demora na entrega”, disse Carlos Martins, presidente da Companhia de Transporte de Salvador.
Apesar de inaugurado, o metrô funcionará apenas quatro horas por dia até o final de junho, passando para oito horas até setembro. Além disso, o intervalo entre um trem e outro será de valiosos dez minutos. Nada que desanime a presidente: “Vamos buscar o nosso hexacampeonato! Vamos buscar a nossa taça”, finalizou Dilma. Por Reinaldo Azevedo
Tags: Copa do Mundo de 2014, Eleições 2014
Share on Tumblr
94 COMENTÁRIOS
11/06/2014 às 14:59
“Vai de jumento, vai de qualquer coisa”
Desde que o presidente Lula declarou a “blogueiros progressistas como um táxi” que esse negócio de metrô em estádio é babaquice, sugerindo que eles fossem ver os jogos da Copa até “jumento”, tenho usado no programa “Os Pingos nos Is” esse tão notável conselho como uma vinheta. Afinal, como dizia Marilena Chaui, sempre que Lula pensa, “o mundo se ilumina”.
Vejam esta foto.
A equipe do “Morning Show”, programa matutino da Jovem Pan, decidiu fazer um teste de mobilidade. E um dos meios de transporte para chegar ao Itaquerão foi o jumento. Veja o resultado final:
1º colocado: Lígia Mendes (carro) – 24 minutos
2º colocado: Felipe Motta (ônibus da Fifa) – 46 minutos
3º colocado: Tiago Mendonça (metrô) – 50 minutos
4º colocado: Victor LaRegina – Após duas horas, chegou à Radial Leste Por Reinaldo Azevedo
Tags: Copa do Mundo de 2014
Share on Tumblr
69 COMENTÁRIOS
11/06/2014 às 14:36
Gilberto Carvalho e o “homem do carro preto”
E já que o assunto é Gilberto Carvalho (ver posts abaixo), secretário-geral da Presidência, homem encarregado do “diálogo” com os movimentos sociais, defensor do “entendimento” com os que praticaram ações criminosas do metrô e autor intelectual do Decreto 8.243 — aquele que oficializa o aparelhamento de estado pelo petismo —, cumpre lembrar o que lhe disse a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) durante uma audiência pública na Comissão de Segurança da Câmara, onde ele falou como convidado. Segue o vídeo.
“O senhor sempre foi conhecido como o homem do carro preto, e eu não falo isso porque eu li, eu falo isso porque eu vi. O homem do carro preto era o homem que pegava os recursos extorquidos de empresários e levava para o [ex-presidente do PT] José Dirceu. (…)
Carvalho foi convidado a falar sobre o livro “Assassinato de Reputações”, de autoria de Romeu Tuma Júnior, segundo quem Carvalho lhe teria confessado que fazia a arrecadação ilegal de recursos entre empresários de Santo André para abastecer campanhas do PT. O pai de Mara era empresário de ônibus durante a gestão Celso Daniel.
Carvalho negou que usasse carro preto: “Acabei, nessa Comissão de Segurança, de deixar claro e desafiar se alguém me viu alguma vez usando um carro preto em Santo André. A própria deputada nunca viu”.
Por Reinaldo Azevedo
Tags: Gilberto Carvalho
Share on Tumblr
105 COMENTÁRIOS
11/06/2014 às 6:15
LEIAM ABAIXO
— Dilma na TV: se estivesse tão certa do que diz, falaria na quinta para o povo e não se esconderia na Rede Nacional de Rádio e TV;
— PSDB diz que discurso de Dilma lembra propaganda do regime militar;
— Gilberto Carvalho, o homem da gravata vermelha, erra até quando acerta. É incurável!;
— Aécio deseja “boa aposentadoria” para Dilma;
— Congresso reage e dá prazo para Dilma revogar decreto bolivariano: ou retira ou será derrubado por Decreto Legislativo;
— Pesquisa presidencial – Resultado do Ibope tem lá as suas estranhezas, mas uma coisa é certa: é muito ruim para Dilma;
— Alguém dê um Rivotril para Dilma. Ou: quem surrupiou quem;
— Ala anti-Dilma do PMDB surpreende e leva 41% dos votos; partido não está tão dividido desde 2002;
— Alckmin diz que não volta atrás e que demissões no Metrô estão mantidas;
— Justiça bloqueia contas de sindicatos dos metroviários de São Paulo;
— Paulo Roberto Costa, ex-diretor investigado, afirma à CPI: ‘Petrobras não era casa de negócios’;
— Dilma consagra a violência como método de reivindicação e cede às chantagens do MTST. É a institucionalização da desordem! Movimento suspende protestos durante a Copa. Mais um mandato, e esta senhora leva o país para o buraco;
— Os patetas autoritários do sindicalismo doidivanas: espero que o governo de SP não recue e demita muito mais se delinquência continuar. Ou: Comecei a contagem regressiva para surgir um pateta federal;
— Decreto de Dilma Rousseff abre o caminho para a servidão dos brasileiros;
— O que a missão do Brasil no Haiti deu aos brasileiros? Uma doença nova! Lula está de parabéns! Essa, realmente, é uma conquista inédita! Nunca antes na história “destepaiz”!!!;
— O dinheiro do crime organizado na política e uma reportagem absurda do Fantástico, com testemunhas com voz de pato denunciando não sei o quê sobre não sei quem;
— O rádio com mais do que o dobro de audiência do que a TV Por Reinaldo Azevedo
Share on Tumblr
11/06/2014 às 6:05
Dilma na TV: se estivesse tão certa do que diz, falaria na quinta para o povo e não se esconderia na Rede Nacional de Rádio e TV
Na imaginação do lulo-petismo, esta quinta seria o dia da consagração do partido, de Lula e, claro!, de Dilma. A presidente faria o discurso de abertura, e o estádio explodiria num grito de incontida alegria. No luminoso do estádio, talvez brilhasse uma inscrição: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Afinal, nada mais parecido com a face mais tosca do regime militar do que o lulo-petismo, com os seus sonhos de um capitalismo rigidamente controlado pelo estado, com a substituição da antiga tecnoburocracia pela elite sindical de agora, os “burgueses do capital alheio”. Mas deu tudo errado. Dilma não vai nem dizer “Boa tarde!”, ou o Itaquerão será inaugurado para o mundo com uma vaia como nunca antes na história “destepaiz”. A presidente sabe o gosto que isso tem. Como esquecer a “homenagem” que lhe prestou o estádio Mané Garrincha, em Brasília, na Copa das Confederações?
Impedida de falar por vontade expressa dos brasileiros, a presidente apelou a um instrumento sobre o qual o povo não tem controle nenhum: a Rede Nacional de Rádio e Televisão, onde ela pode dizer o que lhe dá na telha, certamente aplaudida pelos áulicos profissionais. E Dilma fez, então, o seu discurso inaugural nesta terça, dois dias antes de o Brasil fazer o seu jogo de estreia, o primeiro da Copa do Mundo de 2014, contra a Croácia.
Começou exaltando a boa índole do nosso povo, as nossas belezas naturais, vocês sabem, aquilo tudo que faz da gente um povo alegre e com samba no pé… Até aí, vá lá. Não se poderia esperar muita coisa além de uma “Aquarela do Brasil” filtrada pela linguagem da antropologia burocrática. Mas Dilma decidiu ir além e responder a seus críticos. Respondeu aos “pessimistas” e acabou dizendo coisas estranhas aos fatos, que não correspondem à verdade.
Segundo a presidente, esses pessimistas “já saíram perdendo” (a pessoa que redigiu o discurso resolveu abusar da linguagem futebolística) porque suas previsões teriam falhado. E foi enumerando e tentando provar o contrário: “Disseram que não teríamos estádios, que não teríamos aeroportos, que não teríamos energia…”.
Pra começo de conversa, ninguém disse que “não teríamos”. Teríamos e temos, mas incompletos, muito distantes do que foi combinado. O atraso na privatização dos aeroportos se deve ao fato de que Dilma governa com dois braços esquerdos, não é? A sua repulsa ao capital privado atrasou as privatizações, e boa parte das obras será entregue depois da Copa. Isso é apenas fato, não boato. Praticamente não há estádio que tenha sido entregue conforme o que estava especificado. Alguns estão recebendo o acabamento enquanto escrevo este texto. A maioria das obras de mobilidade — estas, sim, poderiam trazer qualidade de vida à população — ficou no papel.
O que se disse é que haveria atraso: e houve. O que se disse é que não se cumpriria o prometido: e não se cumpriu. Pior: as obras realizadas só seguiram adiante porque se jogou no lixo a Lei de Licitações. A transparência nos gastos a que aludiu a presidente, infelizmente, é falsa. Qual é o controle que tem, por exemplo, o TCU?
A única parte procedente da crítica, mas dita de maneira inverossímil, é a resposta àqueles que sustentam que os gastos da Copa poderiam ter sido investidos no social. Dilma afirmou, e concordo neste particular, que essa conta não procede — e vocês sabem que jamais a endossei aqui. Nunca tive nada contra a ideia de o país realizar a Copa do Mundo. O que cobro — e também em relação à Olimpíada — é competência. O que critico é a megalomania. O que me causa asco é a exploração política vigarista de uma realização que, de fato, é de todo o povo brasileiro.
E, nesse caso, registro, então, que o governo Dilma, com seus atrasos constrangedores, com suas obras não realizadas, é pior do que os brasileiros. Se estes fossem tão incompetentes como a gestão petista, estariam comendo grama em vez de ganhar a vida de modo digno — a maioria ao menos.
Exploração lamentável!
A fala faz uma exploração lamentável da Copa do Mundo, e tendo a achar que é contraproducente, gerando um efeito contrário ao pretendido. Ficou nítido que, em vez de um discurso de boas-vindas, Dilma estava respondendo a seus críticos, numa posição, convenham, um pouco covarde. E não me refiro à covardia pessoal, mas à covardia do governo. Afinal, os que contestam seus argumentos, numa questão com esse alcance público, não têm uma Rede Nacional de Rádio e Televisão para responder.
Ora, se Dilma está tão certa de tudo o que diz, que o diga, então, na quinta-feira. Que tome o microfone — e sua posição lhe faculta essa licença — e exalte as maravilhas de sua gestão para mais de 60 mil pessoas — e olhem que boa parte desse púbico é composta de convidados.
Se eu fosse conselheiro de Dilma, recomendaria que não apelasse a um instrumento que deveria servir apenas ao trabalho de informação para fazer um discurso que não tem como não soar autoritário. É incrível como os petistas têm errado a mão nessas coisas. E olhem que são especialistas na manipulação da opinião pública. Não que tenham mudado de texto. Continua o mesmo. É que Lula sempre foi um ator bem mais competente do que Dilma.
Ela não é amadora apenas como gestora. Também é bisonha como atriz.
PS – Ah, sim: a presidente disse que seus críticos passaram “o ridículo” (sic) de prever um surto de dengue. Bem, o Brasil passa por um surto de dengue. Sim, é verdade, é o surto de sempre. É que, em países atrasados, com governos atrasados, os surtos se tornam crônicos.
Texto publicado originalmente às 22h44 desta terça Por Reinaldo Azevedo
Tags: Copa do Mundo de 2014, Governo Dilma
Share on Tumblr
Assinar:
Comentários (Atom)

